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Santos Fortes

21,70 €
IVA Incluído

Ficha informativa

Autor leandro karnal e luiz estevam de o. fernandes
ISBN 9788569474357
Edição ou reimpressão 2017
Editora Rocco
Idioma Português
Dimensões 21 x 14 x 1,3 cm
Tipo de capa Capa mole
Nº de páginas 216
Tipo de produto Livro
Peso 234 g

Brasileiros, mesmo os ateus, nutrem sincera simpatia por santos. Simpatia essa que é fruto da colonização portuguesa católica, misturada às entidades das religiões africanas, que juntaram suas divindades aos santos cultuados pelos europeus. Desta mescla saiu uma espiritualidade bastante distinta das praticadas na maior parte do mundo, incluindo as regiões que para cá trouxeram suas crenças. É sobre o culto, as vidas e as lendas em torno desses homens e mulheres a quem os brasileiros recorrem para reforçar os pedidos de interferência divina que os historiadores Leandro Karnal e Luiz Estevam de O. Fernandes tratam em Santos Fortes – Raízes do Sagrado no Brasil. A linguagem simples e o didatismo se juntam à ironia num texto que traz aspetos históricos e pitorescos não apenas sobre a vida dos santos – boa parte deles martirizados ao professar o cristianismo –, mas também fala do comportamento dos fiéis em relação aos cultos. Nem o crescimento no País do número de protestantes, notadamente os evangélicos, cuja tradição dispensa intermediação entre o indivíduo e a divindade, reduziu o apego do brasileiro aos santos. Até os que se dizem “católicos não praticantes” aproveitam as folgas, religiosamente, no dia de padroeiros e protetores de incontáveis lugarejos e cidades. Os censos apontam que os nomes mais encontrados nos registos de nascimento no Brasil são Maria e José, os pais de Jesus Cristo, que também denominam diversas cidades em todo o território nacional. Maria é cultuada sob diversas denominações, entre elas a de Aparecida, a padroeira do país, e a de Nazaré, protetora de Belém do Pará, onde sua festa atrai dois milhões de romeiros para as ruas da cidade, no maior evento católico do Brasil.  Curiosidades não faltam no livro, como a das histórias atribuída a santos não-canônicos, aqueles que são objeto de culto, apesar de desconsiderados por Roma. O milagroso São Longuinho, que encontra objetos perdidos para quem invoque seu nome e dê três pulinhos, seria um romano que teria perfurado o corpo de Cristo na cruz com uma lança. Acabou conhecido pela corruptela de “Longinus”, a forma latinizada do grego “lonche” – que identifica cinco mártires. Um deles teria vivido na Capadócia, região da Turquia de onde também viria São Jorge, cuja santidade foi questionada pelo Vaticano em 1960. Diante da ausência de comprovação histórica da existência de Jorge, o Papa Paulo VI permitiu que a festa do santo, padroeiro da Inglaterra, fosse opcional, algo como um chefe que dá ponto facultativo aos funcionários, explicam Karnal e Fernandes. Perdurou, então, a lenda de que o santo fora “descanonizado”, mas, mesmo assim, trinta anos mais tarde, a cidade do Rio de Janeiro decretava feriado no dia de São Jorge, que, para os cariocas é associado ao orixá Ogum, do candomblé. “Jorge decaía na Cidade Eterna e crescia na Cidade Maravilhosa”, concluem os autores. Apesar de a ironia perpassar o texto, aspetos devocionais inusitados são apontados respeitosamente, como a associação de São Sebastião aos homossexuais.  Soldado nascido na França em 256 DC, Sebastião foi um mártir cristão que sobreviveu a flechadas, mas acabou executado e morto. Segundo Karnal e Fernandes, a leitura sobre o santo que sofre perseguições por expor sua fé, vira, “uma forma de sair do armário”. A chamada brasilidade se traduz ainda nas devoções. São Judas Tadeu, o santo das causas impossíveis – que ao lado de Santo Expedito é um dos que mais atividades propiciam às gráficas, já que o pagamento das “promessas” a ambos se dá pela impressão de “santinhos” –, teve sua popularidade ampliada no Rio de Janeiro desde que a ele se creditaram vitórias no futebol do Flamengo. A seleção dos santos cujas vidas e cultos são analisados no livro se baseou nos que se destacam pela devoção e representatividade no mundo contemporâneo. São Francisco de Assis, o criador do presépio e da mais conhecida ordem mendicante, devotado a cuidar dos rejeitados pela sociedade, é visto como um precursor dos hippies por seu empenho em viver da maneira mais despojada possível para assim melhor servir aos outros. Não à toa, lembram os autores, o bispo argentino Bergoglio escolheu Francisco como seu nome ao assumir o papado, em 2013.  Sem analisar dogmas religiosos ou sequer os milagres atribuídos aos Santos Fortes – Jorge, Francisco, Sebastião, Judas Tadeu, João, Antônio, Longuinho, Expedito, Bárbara e Maria –, o livro fala do misticismo irreverente de um país que tem como uma de suas maiores características o sincretismo religioso. Uma herança cultural afro-europeia que dá alento à população de um país continental, que recriou e adaptou suas próprias tradições, descritas de maneira clara e densa por Leandro Karnal e Luiz Estevam de O. Fernandes.

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Brasileiros, mesmo os ateus, nutrem sincera simpatia por santos. Simpatia essa que é fruto da colonização portuguesa católica, misturada às entidades das religiões africanas, que juntaram suas divindades aos santos cultuados pelos europeus. Desta mescla saiu uma espiritualidade bastante distinta das praticadas na maior parte do mundo, incluindo as regiões que para cá trouxeram suas crenças. É sobre o culto, as vidas e as lendas em torno desses homens e mulheres a quem os brasileiros recorrem para reforçar os pedidos de interferência divina que os historiadores Leandro Karnal e Luiz Estevam de O. Fernandes tratam em Santos Fortes – Raízes do Sagrado no Brasil. A linguagem simples e o didatismo se juntam à ironia num texto que traz aspetos históricos e pitorescos não apenas sobre a vida dos santos – boa parte deles martirizados ao professar o cristianismo –, mas também fala do comportamento dos fiéis em relação aos cultos. Nem o crescimento no País do número de protestantes, notadamente os evangélicos, cuja tradição dispensa intermediação entre o indivíduo e a divindade, reduziu o apego do brasileiro aos santos. Até os que se dizem “católicos não praticantes” aproveitam as folgas, religiosamente, no dia de padroeiros e protetores de incontáveis lugarejos e cidades. Os censos apontam que os nomes mais encontrados nos registos de nascimento no Brasil são Maria e José, os pais de Jesus Cristo, que também denominam diversas cidades em todo o território nacional. Maria é cultuada sob diversas denominações, entre elas a de Aparecida, a padroeira do país, e a de Nazaré, protetora de Belém do Pará, onde sua festa atrai dois milhões de romeiros para as ruas da cidade, no maior evento católico do Brasil.  Curiosidades não faltam no livro, como a das histórias atribuída a santos não-canônicos, aqueles que são objeto de culto, apesar de desconsiderados por Roma. O milagroso São Longuinho, que encontra objetos perdidos para quem invoque seu nome e dê três pulinhos, seria um romano que teria perfurado o corpo de Cristo na cruz com uma lança. Acabou conhecido pela corruptela de “Longinus”, a forma latinizada do grego “lonche” – que identifica cinco mártires. Um deles teria vivido na Capadócia, região da Turquia de onde também viria São Jorge, cuja santidade foi questionada pelo Vaticano em 1960. Diante da ausência de comprovação histórica da existência de Jorge, o Papa Paulo VI permitiu que a festa do santo, padroeiro da Inglaterra, fosse opcional, algo como um chefe que dá ponto facultativo aos funcionários, explicam Karnal e Fernandes. Perdurou, então, a lenda de que o santo fora “descanonizado”, mas, mesmo assim, trinta anos mais tarde, a cidade do Rio de Janeiro decretava feriado no dia de São Jorge, que, para os cariocas é associado ao orixá Ogum, do candomblé. “Jorge decaía na Cidade Eterna e crescia na Cidade Maravilhosa”, concluem os autores. Apesar de a ironia perpassar o texto, aspetos devocionais inusitados são apontados respeitosamente, como a associação de São Sebastião aos homossexuais.  Soldado nascido na França em 256 DC, Sebastião foi um mártir cristão que sobreviveu a flechadas, mas acabou executado e morto. Segundo Karnal e Fernandes, a leitura sobre o santo que sofre perseguições por expor sua fé, vira, “uma forma de sair do armário”. A chamada brasilidade se traduz ainda nas devoções. São Judas Tadeu, o santo das causas impossíveis – que ao lado de Santo Expedito é um dos que mais atividades propiciam às gráficas, já que o pagamento das “promessas” a ambos se dá pela impressão de “santinhos” –, teve sua popularidade ampliada no Rio de Janeiro desde que a ele se creditaram vitórias no futebol do Flamengo. A seleção dos santos cujas vidas e cultos são analisados no livro se baseou nos que se destacam pela devoção e representatividade no mundo contemporâneo. São Francisco de Assis, o criador do presépio e da mais conhecida ordem mendicante, devotado a cuidar dos rejeitados pela sociedade, é visto como um precursor dos hippies por seu empenho em viver da maneira mais despojada possível para assim melhor servir aos outros. Não à toa, lembram os autores, o bispo argentino Bergoglio escolheu Francisco como seu nome ao assumir o papado, em 2013.  Sem analisar dogmas religiosos ou sequer os milagres atribuídos aos Santos Fortes – Jorge, Francisco, Sebastião, Judas Tadeu, João, Antônio, Longuinho, Expedito, Bárbara e Maria –, o livro fala do misticismo irreverente de um país que tem como uma de suas maiores características o sincretismo religioso. Uma herança cultural afro-europeia que dá alento à população de um país continental, que recriou e adaptou suas próprias tradições, descritas de maneira clara e densa por Leandro Karnal e Luiz Estevam de O. Fernandes.

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Ficha informativa

Autor
leandro karnal e luiz estevam de o. fernandes
ISBN
9788569474357
Edição ou reimpressão
2017
Editora
Rocco
Idioma
Português
Dimensões
21 x 14 x 1,3 cm
Tipo de capa
Capa mole
Nº de páginas
216
Tipo de produto
Livro
Peso
234 g

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